Tecelagem artesanal

A tecelagem em Minas Gerais

Minas Gerais foi à região brasileira que mais absorveu a arte de tecer manualmente e desenvolveu características próprias, porém conservou a tradição trazida pelos colonizadores portugueses. Tal influência marcou de forma fundamental o povo dessa região e formou uma cultura própria e peculiar. Através do Tear fêz-se possível a confecção de roupas tecidas em algodão e lã, as quais serviam para a lida no campo e até mesmo para os dias de festa. A atividade de tecer era inteiramente rudimentar, começando pelo plantio do algodão cru e ganga, que, depois de colhido, era descaroçado num descaroçador manual, cardado e fiado. O tingimento dos fios se dava pela utilização de cascas e raízes, dentre elas o Anil (azul), a Sandra d’água (vermelho) e a Caparosa com pau-brasil (preto), entre outras.

Conheça um pouco da História do Tear

A tecelagem é milenar; acompanha o ser humano desde os primórdios da civilização. Está identificada com as próprias necessidades do Homem, de agasalho, de proteção e de expressão.

São fibras de algodão, de lã, de linho, fiadas e tingidas por processos manuais, que nos teares, através das mãos do Artista, se unem em cores e formas.

A tecelagem utilitária evoluiu na tecnologia, e a de expressão procurou os caminhos naturais.  Aí as tramas e as urdiduras se entrelaçam para dar forma ao pensamento e à intuição.

Saber tecer e tingir fios de fibras naturais são conhecimentos que se mantém há séculos e acompanham a humanidade desde sua origem. Por necessidade, a tecelagem firmou-se no Brasil Colônia, onde produzir tecidos para escravos e gente simples justificava o empreendimento. Houve tempo em que toda casa mineira tinha uma roda de fiar e um tear tosco de madeira. Fazia-se o fio e do tear saiam colchas e roupas para a família. Enquanto teciam, as mulheres iam nomeando suas tramas de acordo com o desenho: Daminha, Pilão, Escama, Dados, Sem Destino ou até mesmo com os  nomes das artesãs que as criavam. Com as tramas nascia o pensamento abstrato e é por isto que, até hoje, tecer significa pensar. Suas técnicas consagradas pelo tempo não são restritivas, mas sim, abrem infinitas possibilidades de resultados, desafiando a criação.

CONCEITOS BÁSICOS

Para se explicar a tecelagem manual e o princípio de funcionamento de um tear, é necessário o conhecimento dos seguinte conceitos básicos:

  • TEAR: é uma ferramenta simples, que permite o entrelaçamento de uma maneira ordenada de dois conjuntos de fios, denominados trama e urdidura formando, como resultado, uma malha denominada tecido.
  • URDIDURA: é formado por um conjunto de fios tensos, paralelos e colocados préviamente no sentido do comprimento do tear.
  • TRAMA: é o segundo conjunto de fios, passados no sentido transversal com auxílio de uma agulha, também denominada navete. A trama é passada entre os fios da urdidura por uma abertura denominada cala.
  • CALA: abertura entre os fios ímpares e pares da urdidura, por onde passa a trama.
  • PENTE: peça básica no tear pente-liço, que permite levantar e abaixar alternadamente os fios da urdidura, para permitir a abertura da cala e posterior passagem da trama

 

A figura mostra de maneira simples esse processo:

A – Arditura

B – Trama

C - Tecido

D – Pente

E – Cala

F – Navete com a trama